Seu filho sofre de ansiedade de separação?

Despedidas cheias de lágrimas e birras são comuns durante os primeiros anos de uma criança. Por volta do primeiro aniversário, muitas crianças desenvolvem ansiedade de separação, ficando chateadas quando um dos pais tenta deixá-las com outra pessoa.

Embora a ansiedade de separação seja uma parte perfeitamente normal do desenvolvimento infantil, pode ser um comportamento pertubador.

Entender o que seu filho está passando e desenvolver algumas estratégias de enfrentamento pode ajudar vocês dois a superararem isso.

O que é a ansiedade de separação?

Os bebês mais novos se adaptam muito bem a outros cuidadores e, nesta fase, os pais provavelmente sentem mais ansiedade por estarem separados do que os bebês! Desde que as suas necessidades sejam atendidas, a maioria dos bebês com menos de 6 meses se adapta facilmente a outras pessoas.

Entre 4 e 7 meses de idade, os bebês desenvolvem uma sensação de “permanência do objeto”. Eles estão percebendo que as coisas e as pessoas existem mesmo quando estão fora de sua vista.  Os bebês aprendem que quando não conseguem ver a mãe ou o pai, isso significa que foram embora. Eles não entendem o conceito de tempo, então não sabem que a mãe vai voltar e podem ficar chateados com sua ausência.  Esteja a mãe na cozinha, no quarto ao lado ou no escritório, é tudo igual para o bebê, que pode chorar até que a mãe esteja por perto novamente.

Por volta dos 8 meses a 1 ano de idade, as crianças já estão se tornando mais independentes, mas, nesse momento, desenvolvem ainda mais incertezas quanto à separação dos pais. É aí  que a ansiedade de separação surge de maneira mais exacerbada e os filhos podem ficar agitados e chateados quando um dos pais tenta ir embora.

Se você precisa ir para outro cômodo por apenas alguns segundos, deixar seu filho com uma babá à noite ou deixá-lo na creche, o seu filho pode reagir chorando, agarrando-se a você e resistindo à atenção dos outros .

O momento da ansiedade de separação pode variar. Algumas crianças podem passar por isso mais tarde, entre 18 meses e 2 anos e meio de idade. Felizmente, algumas nunca experimentam isso.

Quanto tempo isso dura?

A duração da ansiedade da separação pode variar, dependendo da criança e de como os pais reagem. Em alguns casos, dependendo do temperamento da criança, a ansiedade de separação pode durar desde a infância até os anos do ensino fundamental.

A ansiedade de separação que afeta as atividades normais de uma criança mais velha pode ser um sinal de um transtorno de ansiedade mais profundo . Se a ansiedade da separação surgir de maneira inapropriada em uma criança mais velha, pode haver outro problema, como bullying ou outro tipo de abuso.

A ansiedade da separação é diferente dos sentimentos normais que as crianças mais velhas têm quando não querem que os pais partam (o que geralmente pode ser superado se a criança estiver suficientemente distraída). Saiba que as crianças entendem o efeito que isso tem sobre os pais e, se você voltar correndo para a sala toda vez que seu filho chorar, ele continuará a usar essa tática para evitar a separação.

O que você pode sentir?

A ansiedade da separação pode fazer com que você sinta uma variedade de emoções. Pode ser bom sentir que seu filho está finalmente tão apegado a você quanto você a ele, mas, também, é provável que você se sinta culpado por tirar um tempo para si mesmo ou para trabalhar, deixando o seu filho com uma babá ou com outro cuidador.Você pode começar a se sentir oprimido pela quantidade de atenção que seu filho parece precisar de você.

A boa notícia é que, eventualmente, seu filho será capaz de se lembrar que você sempre volta depois de sair e isso será suficientemente reconfortante para aliviar os sintomas.

Tornando a saída mais fácil

Estas dicas podem ajudar a aliviar as crianças e os pais neste período difícil:

  • Tempo é tudo. Tente não colocá-lo na creche ou deixá-lo com uma pessoa desconhecida na idade de 8 meses e 1 ano, quando é provável que apareça a ansiedade da separação pela primeira vez. Além disso, tente não sair quando seu filho estiver cansado, com fome ou inquieto. Se possível, programe suas saídas para depois das sonecas e das refeições.
  • Pratique. Pratique estar longe um do outro e apresente novas pessoas e lugares lentamente. Se você planeja deixar o seu filho com um parente ou uma nova babá, convide essa pessoa com antecedência para que possam passar um tempo juntos enquanto vocês estão no quarto. Se o seu filho está começando a ir para a creche ou pré-escola, façam algumas visitas juntos antes de começar o horário integral. Pratique deixar seu filho com um cuidador por curtos períodos para que ele possa se acostumar a ficar longe de você.
  • Seja calmo e consistente. Crie um ritual de saída durante o qual você se despede de forma agradável, amorosa e firme. Fique calmo e mostre confiança em seu filho. Tranquilize-o de que você voltará – e explique quando voltará usando conceitos que as crianças entenderão (como depois do almoço). Dê toda a sua atenção ao dizer adeus e, quando disser que está indo embora, seja sincero, porque voltar só vai piorar as coisas.
  • Cumpra as promessas. É importante certificar-se de que você retornará quando prometeu. Isso é fundamental – é assim que seu filho desenvolverá a confiança de que conseguirá sobreviver ao longo do tempo separados.

Por mais difícil que seja deixar uma criança gritando e chorando por você, é importante ter confiança de que o cuidador pode lidar com isso. É provável que, em poucos minutos, o seu filho já tenha se acalmado e esteja brincando com outras coisas.

Na maioria dos casos, a ansiedade de separação  passa sem a necessidade de atenção médica. Mas, se você tiver dúvidas, converse com o seu médico.

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